sexta-feira, 12 de maio de 2017

Democracia, luta política e mérito

O recente episódio de separação no município do Porto entre o Movimento Independente de Rui Moreira e o Partido Socialista deve ser atentamente acompanhado. A separação foi feita com elogios mútuos, seguindo cada qual o seu caminho. Deseja-se que a luta política que agora se inicia se paute pelo mesmo nível.

Quem apresenta uma candidatura não tem necessariamente de denegrir outra ou outras. Bem pode, pelo contrário, apresentar-se como uma solução melhor, ou seja, defender um projecto sem colocar em causa o mérito da candidatura adversária. Temos um hábito pouco edificante de pedir o voto porque os outros não prestam. É um comportamento de muita presunção.

Se, pelo contrário, uma lista diz que o governo municipal dos últimos anos não foi mau, mas que é possível fazer mais e melhor, diz algo que não é habitual e que só dignifica a democracia. Ganhar a quem não presta, pouco ou nada presta. Pelo contrário, ganhar a quem é bom é já algo de muito mérito. Basta de campanhas eleitorais dizendo mal.

A democracia bem entendida deve consistir numa escolha entre boas propostas e bons candidatos. Não seria de admirar, embora fosse, em todo o caso, muito triste, que dentro de semanas, no Porto, os elogios se convertessem em ataques à beira de insultos, desdizendo por completo o que ouvimos por estes dias. O tempo de campanha eleitoral vai demonstrar o caminho que seguirão os candidatos e as respectivas listas.

P.S.1: A MEO reconheceu o erro de que falei noutro blogue e rectificou o valor da factura que me enviou de €92,00 para €74,00. Isso não impediu que tivesse de pagar já os €92,00, sendo a correcção efetuada na próxima factura. Seria curial e só ficaria bem à MEO apresentar desculpas. Não o fez.

P.S. 2: A tolerância de ponto, com a vinda do Papa a Fátima, merece crítica: primeiro, por beneficiar apenas uma parte dos cidadãos: os funcionários públicos; segundo, por ser aproveitada pela grande maioria dos beneficiários apenas para um fim-de-semana prolongado, nada tendo a ver, na verdade, com Fátima. E, finalmente. porque hospitais e escolas públicas, bem como tribunais e outras instituições, ficam um dia parados, com prejuízos significativos para os cidadãos.

(Em Diário do Minho)