quarta-feira, 22 de abril de 2015

As cidades do quadrilátero precisam de cuidados

Portugal tem actualmente 159 cidades. No entanto, é errado pensar que há cidades por tudo quanto é sítio. No Minho, por exemplo, temos apenas nove. Duas no distrito de Viana do Castelo (Viana e Valença) e sete no distrito de Braga (Barcelos, Braga, Guimarães, Famalicão, Esposende, Fafe e Vizela). Note-se que as cidades do distrito de Braga são contíguas desde Esposende a Fafe.

Consideramos que as nossas cidades não têm merecido os cuidados que lhes são devidos e vamos, para o efeito, centrar a atenção nas quatro cidades que constituem o denominado Quadrilátero Urbano, integrando uma associação de municípios de fins específicos que carece de maior evidência. Tais cidades são Barcelos, Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão e têm em comum não só a proximidade entre elas, como outros interessantes aspectos. Elas fazem parte de municípios com mais de 100.000 habitantes e mais de 150  km². Em termos de superfície, o município maior é Barcelos, com 379  km², seguido de Guimarães com 241  km², Vila Nova de Famalicão com 202 km² e Braga com 183 km². Esta sequência não é a mesma quanto à população, estando em primeiro lugar o município de Braga com 182.000 habitantes, Guimarães com 159.000, Vila Nova de Famalicão com 134.000 habitantes e Barcelos com 121.000. 

No que diz respeito propriamente às cidades, que são todas sede do concelho, há uma enorme diferença. A sequência é a mesma da população dos municípios, mas enquanto a cidade de Braga tem, de acordo com dados obtidos junto do Instituto Nacional de Estatística e aqui arredondados, 137.000 habitantes, Guimarães fica a larga distância com 48.000 habitantes e mais longe ainda ficam Vila Nova de Famalicão com 35.000 e Barcelos com 21.000. As razões desta diferença, que não acompanham nem o território nem a população dos municípios respectivos, deviam merecer atenta ponderação. Todas elas têm uma história que é secular, excepto a de Famalicão, que é uma intrometida neste aspecto, tendo surgido já no século XIX como aglomerado urbano significativo e só há relativamente poucos anos obteve o estatuto honorífico de cidade.

Este estatuto, aliás, não é obtido por quem quer, sendo necessário um conjunto de requisitos definidos na lei, mas, por outro lado, também não é obrigatório para quem os tem. Ponte de Lima é, segundo parece, exemplo disso. 

Voltando às cidades do quadrilátero, todas elas cresceram muito nos últimos 40 anos, mas faltou-lhes uma visão estratégica bem conseguida. Cresceram desordenadamente na periferia e o respectivo centro histórico, com excepção de Guimarães, não foi objecto do devido cuidado. Também não se curou da ligação entre elas.

É difícil de compreender o facto de nenhuma destas cidades ter um plano de urbanização que enquadre devidamente o seu futuro. Foram cometidos em todas muitos erros urbanísticos e parece que isso não é motivo de preocupação. 

P.S.: A tragédia do Mediterrâneo não nos tem preocupado como devia. Parece que aquelas vidas não valem o mesmo que as nossas. Não valem, como bem titulava o jornal i de ontem.

(Em Diário do Minho)