Não podemos aceitar com indiferença que aumente, em vez de diminuir, o desequilíbrio entre o litoral e o interior, nomeadamente a nível demográfico. Não se trata, é claro, de lutar por uma igual densidade populacional no litoral e no interior, trata-se antes de manter, no interior, uma rede de municípios (nomeadamente os actuais) relativamente bem povoados e não em rápido e assustador despovoamento.
Temos dificuldade em compreender que não haja hoje (ou, pelo menos, que não tenha a devida visibilidade) uma associação dos municípios do interior, cobrindo o país de norte a sul. Não se trataria de uma associação imposta, mas de uma associação dos municípios que nela entendessem participar.
Mas entendemos também que esse objectivo não pode ser alcançado apenas com o esforço de quem lá reside. Importa uma aliança litoral-interior que é do interesse de todos os portugueses. E importa, sobretudo, a formulação de uma política pública nacional bem pensada e bem divulgada. Porventura, ela existe, mas não é conhecida e sustentada.
P.S.: O que é mais importante? Ocupar as noites das televisões informativas com doses sucessivas de futebol ou com problemas como este?
(Em Diário do Minho)