quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O milagre económico português e os presidentes de câmara

A imprensa da vizinha Galiza tem dado particular atenção à situação económica em Portugal e o reputado jornal La Voz de Galicia, do dia 23 de Janeiro de 2018, abria a primeira página, a toda a largura, com este título: "Más de 500 empresas mantienen la matriz en Galicia, pero se van a crecer a Portugal".

E o texto começava assim: "Há alguns meses que a Europa contempla com assombro o que já toda a gente chama o milagre económico português. E, concretizando, chama a atenção para o facto de até ao terceiro trimestre de 2017, Portugal ter conseguido captar mais de mil milhões de euros de investimento estrangeiro directo e sermos o polo de atracção de capital estrangeiro mais potente da Europa em sectores de ponta, como o automóvel (Volkswagen e PSA), a tecnologia (Siemens ou Bosch), ou a construção aeronáutica (Embraer)".

Um aspecto muito interessante deste trabalho é a atenção dada aos "autarcas" (palavra que colocam entre aspas, pois os nossos vizinhos de Espanha não a utilizam). "Autarcas com poder" é a denominação que se lhes dá e o elogio que se lhes faz.

Aos autarcas lusos, escreve-se, deve-se uma boa parte do êxito de um investimento estrangeiro acabar em solo português. E explica-se: quando uma empresa quer instalar-se em Portugal, o primeiro passo que deve dar é ter uma entrevista com o presidente da câmara municipal do lugar escolhido para se estabelecer. A câmara é a gestora do solo público em cada município e o presidente da câmara tem amplas competências para incentivar a instalação de uma nova empresa, concedendo vantagens ou mesmo isenção de pagamento de certos impostos.

E cita-se Luís Ceia, presidente da Confederação de Empresários do Alto Minho: "Cada presidente de câmara municipal pode fazer as bonificações que estejam dentro das suas competências e mesmo eliminar impostos. O próprio pessoal da câmara trabalha para os empresários, para ajudar a aligeirar a burocracia. Eles compreendem que se trata de uma riqueza para o seu município".

O elogio de Portugal vai mais longe, chamando a atenção para o ambiente sociopolítico que se vive em Portugal e esta é uma constatação que não parte só de La Voz de Galicia. Também outros periódicos muito lidos têm chamado a atenção para a boa situação de Portugal, fazendo comparações entre os dois países, quase sempre mais favoráveis para nós, excepto no que respeita à dívida pública: enquanto em Portugal ela é de 130% do PIB, em Espanha é de 100%, dizem.

Temos, pela nossa parte, consciência de que esta situação económica de Portugal também se deve muito à conjuntura internacional (como se deveu a grave crise que atravessámos, não esqueçamos), mas é bom salientar o esforço que continuadamente fazem pelas suas populações em tempo bom ou mau os eleitos locais dos nossos municípios e freguesias. E como é bom termos municípios fortes!
(Em Diário do Minho, 25/01/18)